O aumento das denúncias internas e a atenção aos riscos psicossociais reforçam a importância de processos estruturados de escuta, apuração e prevenção. Entenda os principais desafios para as empresas e como transformar informações em ações concretas.
Os canais de denúncias vêm ganhando relevância nas empresas brasileiras. Ao mesmo tempo, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), com a inclusão expressa dos fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no gerenciamento de riscos ocupacionais, amplia a atenção sobre as condições de trabalho, as relações profissionais e as práticas de gestão.
Nesse cenário, uma questão merece destaque: disponibilizar um canal de denúncias é importante, mas o que realmente faz a diferença é a maneira como a organização trata as informações recebidas.
O crescimento das denúncias acende um alerta
Dados da 11ª edição da Pesquisa Nacional de Canais de Denúncias, realizada pela Be.Aliant e repercutida pelo portal VIVA, apontam que foram registrados 245.518 relatos em 2025, um crescimento de 5,4% em relação ao ano anterior e de 81,5% na comparação com 2021.
A pesquisa também identificou que a proporção de casos classificados como de impacto alto ou crítico passou de 9,7% em 2024 para 11,9% em 2025.
Esses números reforçam a importância de mecanismos confiáveis de escuta. Entretanto, o aumento dos registros não significa, necessariamente, que existam mais irregularidades: ele também pode refletir maior confiança nos canais e amadurecimento dos programas de integridade.
O desafio está em garantir que os relatos sejam recebidos, analisados e encaminhados de maneira responsável, com critérios claros, confidencialidade e independência na apuração.
Da denúncia à gestão: o que acontece depois?
Um canal de denúncias pode revelar situações pontuais, possíveis irregularidades ou problemas recorrentes relacionados à liderança, à comunicação, aos procedimentos internos e à cultura organizacional.
Por isso, o processo não deve terminar no recebimento da informação. É necessário avaliar cada relato, definir os encaminhamentos adequados e acompanhar as providências adotadas.
A ausência de critérios ou uma condução inadequada pode ampliar riscos para a organização, comprometer a confiança das pessoas e dificultar a identificação de oportunidades de melhoria.
A confidencialidade também merece atenção especial, sobretudo quando os relatos envolvem lideranças ou pessoas com poder de decisão. A posição hierárquica dos envolvidos não deve comprometer a independência da análise.
Mais do que uma ferramenta de registro, o canal pode contribuir para uma visão mais ampla da organização — desde que as informações sejam tratadas com responsabilidade e utilizadas para orientar decisões.

NR-1: a prevenção também passa pelas relações de trabalho
A atualização do capítulo 1.5 da NR-1, em vigor desde 26 de maio de 2026, incluiu expressamente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).
Entre os fatores que merecem atenção estão a sobrecarga de demandas, o assédio e outras formas de violência, a falta de apoio e problemas na organização das atividades.
Nesse contexto, relatos recorrentes sobre conflitos, comportamentos inadequados ou condições de trabalho podem funcionar como uma fonte complementar de informação para identificar situações que mereçam análise.
É importante, porém, compreender os limites dessa contribuição: o canal de denúncias não substitui a avaliação dos riscos psicossociais nem o gerenciamento de riscos ocupacionais. Ele pode integrar uma abordagem mais ampla, envolvendo RH, lideranças, Saúde e Segurança do Trabalho, Compliance e Jurídico, respeitando as atribuições de cada área.
Como transformar informação em ação?
A prevenção exige processos conectados. Receber um relato, apurar os fatos, definir providências e acompanhar sua efetividade são etapas que precisam funcionar de maneira coerente.
Quando essas atividades ficam fragmentadas, informações relevantes podem se perder e problemas recorrentes podem continuar sem tratamento adequado.
É nesse ponto que tecnologia, governança e suporte especializado podem contribuir para uma gestão mais estruturada. O EVORA+ foi concebido para apoiar as organizações no tratamento dos relatos, conectando plataforma, processos, instrumentos de governança e acompanhamento.
A proposta vai além do recebimento de denúncias: busca apoiar uma condução responsável, humanizada e imparcial, favorecendo a transformação das informações em ações concretas. Sua utilização, naturalmente, não substitui as demais responsabilidades da empresa na gestão de riscos, na prevenção e no cumprimento das obrigações aplicáveis.
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Canais de denúncias, NR-1 e riscos psicossociais estão conectados por um desafio comum: criar condições para identificar situações relevantes, tratá-las com critério e agir preventivamente.
Uma denúncia é uma informação. O que a empresa faz com ela é gestão.
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