Concurso público mantém procura mesmo com corte

Com insegurança no mercado de trabalho privado, demanda por emprego no Estado continua e aumenta a busca por cursos preparatórios no País

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No 1° trimestre, cursos têm alta de 15% no número de matrículas ante o período em 2015
Foto: Agência Brasil
São Paulo – O governo prevê a suspensão de concursos públicos e adiamento do reajuste de salários, mas nem isso tem espantado os chamados “concurseiros”. Com o aumento do desemprego no setor privado, o cargo público continua valendo a pena para quem está disposto a estudar.

Mesmo que o mercado chegue ao pior cenário possível este ano, a atratibilidade do concurso público se mantém, uma vez que a insegurança de perder o emprego no setor privado é maior. É o que afirma o presidente da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac), Marco Antonio de Araujo Junior. “A primeira atitude da iniciativa privada neste cenário econômico é o corte de custos com mão de obra”, aponta.

Segundo o executivo, o impacto do corte ainda não foi sentido e a expectativa é que sejam menores do que o que vem sendo informado. “Foi sinalizado, mas não diminuiu de fato”, diz. Mesmo que a redução de vaga aconteça, deve chegar a no máximo 15% dos concursos federais. “As esferas legislativas e judiciais têm autonomia e orçamento próprio e não devem sofrer”, indica.

De acordo com Araujo, mesmo que o governo precise realizar cortes, alguns concursos muito esperados – e com um bom número de vagas – devem manter-se. Alguns exemplos são o do INSS, da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Federal e da Receita Federal. “Os da polícia são importantes para proteger a fronteira e da Receita para arrecadação, então não tem como adiar”, diz o executivo, ao apontar que o número de vagas pode ser reduzido, mas em pouco volume.

Ainda para ele, um exemplo de que o mercado continua sendo atraente para os profissionais é a demanda por cursos preparatórios que aumentou 15% no primeiro trimestre do ano, ante ao mesmo período do ano anterior. “Temos sentido que diferentemente de outras crises, as pessoas estão vindo mais para esta área que a empreendedora por não saber no que investir”, fala.

Desafios

O presidente da Wiabiliza Consultoria, Jorge Ruivo, concorda. “A procura é cíclica, e em tempos de instabilidade da economia a busca por concursos aumenta pela garantia de salário e emprego. É uma questão de segurança”, ressalta. De acordo com ele, o adiamento de repasse não preocupa tanto, porque mesmo que não ocorra imediatamente existe a segurança de que virá.

Para ele, com as demissões na área privada – em cargos de todos os níveis -, o patamar de qualificação na esfera pública deve aumentar. No entanto, ele acredita que com a retomada da economia a busca por concursos pode diminuir. “O salário pode até equiparar-se no início, mas a progressão de carreira é maior no privado”, explica Ruivo.

Por isso, a retenção de alguns cargos no setor público, sobretudo os altos, será difícil quando o mercado privado voltar a contratar. Como exemplo, o executivo cita um projeto realizado em 2011 para uma empresa estatal em que tinha que contratar dez engenheiros civis e mal conseguiu preencher as vagas. “Quando o cenário macroeconômico está bem, compensa mais para alguns cargos manter-se no privado pela remuneração e o plano de carreira”, comenta Ruivo.

Uma das principais demandas dos funcionários, segundo ele, é a construção de carreira que em muitos cargos é inexistente. “Ou é muito lenta”, diz.

Processo demorado

“Caso os cortes de vagas sejam realizados, apenas quem está muito preparado será afetado”, afirma o fundador do QualConcurso, Victor Maia.

De acordo com Maia, 99% dos concurseiros não estão preparados para realizar uma prova no período de 30 dias. E menos de 3% têm condições de passar em um concurso em menos de 12 meses. “Quem é realmente impactado com a suspensão do concurso é quem vai passar”, comenta.

Um exemplo é o concurso da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). “Não ocorria há um tempo e quem estava preparado terá de continuar investindo em estudo para manter a condição”, explica.

Para ele, em média, o País tem 360 mil vagas por ano e são exatamente as 360 mil que serão afetadas por conta do adiamento. “O resto dos candidatos devem ver como uma oportunidade de preparar-se para entrar nesse grupo.”

Vivian Ito
DCI – Gestão & Carreira
02/03/2016 – 05h00

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